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Unesp: Diretora faz mural de R$ 300 mil enquanto comunidade passa dificuldades e exclui artistas da cidade

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            Ao retornar às aulas, a comunidade da Unesp/Marília se deparou com a parede da biblioteca coberta e um e-mail dizendo que esta se encontraria fechada para obras. Pelos corredores descobriu-se que a parede da biblioteca seria grafitada, ao custo de R$ 300.000,00 pelo renomado artista Kobra, conhecido como o Romero Britto dos grafites. Causou um espanto em todos, alunos e professores, pois tal projeto, cujo nome é “Inclusão, Diversidade e Literatura: um encontro necessário”, não teria passado por nenhuma instância de discussão da Faculdade, como a Congregação. Causou também uma profunda indignação, diante de todas as necessidades que a comunidade passa. Ou seja, a comunidade universitária não foi incluída e excluíram os artistas da cidade.

            Ao ser cobrada na última reunião da Congregação, em 21 de março, a Diretora profa. Claudia Regina Mosca Giroto afirmou que se trata de um projeto de uma orientanda e de sua professora (ela mesma) e aprovado pela Diretora (que também é ela) – situação que beira o ridículo e, no mínimo, talvez possa causar conflito de interesses. Dada a ausência de transparência no processo, foi questionada como e de onde teria vindo a verba. Em resposta, disse que qualquer pessoa poderia buscar no site compras.gov. No entanto, não apresentou o projeto, a origem, nada, apenas mandou que buscassem no portal. E buscas foram feitas e nada foi encontrado – espera-se ainda que ela apresente o projeto e a origem do dinheiro.

            Um tapa na casa da comunidade unespeana, este mural é apenas a gota d’água de tudo que se passa na Faculdade desde o início desta gestão em 2020. A unidade se encontra com um restaurante universitário precário e insuficiente – já encontraram larvas nas marmitas servidas –, não há sequer uma lanchonete no campus; muitas salas não possuem ar condicionado, trazendo transtornos neste calor insuportável; houve falta de água este ano; a moradia estudantil, em estado precário e insuficiente para atender os alunos, corre riscos em suas estruturas elétrica e de esgoto; alunos não são atendidos em suas necessidades de permanência, inclusive com falta de assistente social; foram feitas compras de televisores e obras desnecessárias diante de outras demandas realmente prementes. Enfim, uma gestão catastrófica e ineficiente.

            Em sua defesa, a Diretora alega que as denúncias se tratam de Fake News, como comentou em reunião do Conselho de Administração e Desenvolvimento (CADE). Ainda segundo ela, todos os trâmites legais são cumpridos. É aí que reside a crítica de muitos docentes: se, por um lado, as atitudes tomadas nesta gestão são legais, por outro, são autocráticas. Para muitos professores, não há diálogo, a democracia interna é atropelada e parece haver um projeto pessoal em curso. Eleições na universidade acontecerão este ano e o mural poderá servir de vitrine.

            É, realmente, muito triste que a Diretora, por conta própria, aprova um projeto cujo valor representa quase 10% do orçamento anual da unidade e ignora artistas da sua própria cidade, exclui a comunidade universitária e mariliense. Apoiar-se na lei e na burocracia para implementar um projeto pessoal não é a melhor maneira de gerir a coisa pública, assim como é feio usar uma parede pública para atender um projeto pessoal seu e de sua orientanda, mesmo que afirme que outros poderão admirá-lo.

               Por Flora Marília Tristán


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